Por Sara Santos, André Moreira e Diana Tinoco

A tarde foi de chuva e vento, mas isso não impediu que se juntassem, num ambiente intimista e descontraído, típico do Clube Ferroviário, em Lisboa, vários amantes da PRIMA, desde leitores, a criadores a protagonistas das edições.

Desta vez, celebrou-se o sexto número da revista, que começou com uma conversa divertida entre Mafalda Anjos e três figuras que fizeram capa da PRIMA: a atriz de teatro e cinema, apresentadora de televisão e bloguer Joana Barrios, que protagonizou a primeira edição da revista, Inês Mendes da Silva, capa da quarta edição, que gere a carreira de ilustres celebridades da nossa praça, e Inês Lopes Gonçalves, a protagonista da edição que está agora nas bancas. Na conversa, falou-se sobre as histórias das capas, das vidas profissionais das três e da gestão da popularidade por parte de cada uma.

"Porque é que tiveste essa ideia, de me escolher para ser a primeira capa da PRIMA?", perguntou Joana Barrios a Mafalda Anjos, que à data não era ainda popular e entretanto virou uma das protagonistas no programa de Cristina Ferreira. Joana considera não ser famosa, nem sequer uma estrela, apesar de receber um feedback muito positivo do público pelo seu trabalho. "É bonito percebermos que as pessoas nos respeitam e respeitam o que fazemos. E esta coisa de querermos acordar consciências e fazermos a diferença, às tantas olho e penso "se calhar isto está mesmo a acontecer", referiu a atriz.

Já Inês Mendes da Silva está quase sempre do outro lado das luzes da ribalta, embora a sua popularidade seja já inegável, com 85 mil seguidores no Instagram. A manager, que está habituada a gerir a carreira de celebridades, sente-se confortável em sair da secretária e aparecer ao público, mas garante que o seu trabalho não é, maioritariamente, esse.  "As pessoas acham que nós passamos mais tempo a comer croquetes do que a teclar, mas isso não é verdade", brincou, adiantando que é o planeamento, a estratégia e o "trabalho de backoffice" que lhe dá mais prazer.

A apresentadora Inês Lopes Gonçalves, capa da PRIMA que está agora nas bancas, também é radialista e explicou como é diferente o reconhecimento do público quando se faz rádio ou televisão. "Podes trabalhar 20 anos em rádio e, de repente, fazes uma coisinha em televisão e é uma diferença abissal. A televisão tem esse poder, inevitavelmente", defendeu.

Em relação à sua exposição nas redes sociais, Inês Lopes Gonçalves considera-se mais contida do que é suposto para uma celebridade. "Eu costumo dizer que faço péssima internet. No outro dia, estava no NOS Alive com a Filomena Cautela a fazer scroll no instagram, ela vira-se para mim e diz assim: "Quê, esse foi o teu último post no instagram?"  E a verdade é que "hoje em dia temos de publicar muitas coisas todos os dias", acrescentou.

"É uma foto por dia", respondeu Inês Mendes da Silva. Uma por dia, mas "verdadeira, real, que mostre quem a pessoa é". "Antes não era assim, mas hoje acredito que quanto mais realista, despenteada, quanto mais se vir a tralha e o estendal lá atrás, quanto mais autêntica e genuína se for nas redes sociais, melhor", defendeu.

Joana Barrios faz isso mesmo. Mostra a casa desarrumada e a sua vida tal como é, embora seja uma performer assumida. "Há um risco nas redes, mas um risco gerido e muito ponderado. Não mostro os meus filhos, por exemplo, porque acho que eles vão ter tempo e liberdade para decidirem se querem ou não aparecer", defendeu.

Para a atriz, a melhor forma de ser feliz é seguindo o lema do seu blogue, Tragédia, que acaba, também, por ser o seu lema de vida: "You'll Be Happier With Lower Standars". Depois de várias tentativas profissionais e um ombro deslocado, foi percebendo que mais valia baixar as suas expectativas e conseguir ser feliz assim, porque a vida não acontece sempre como se imagina, e quanto mais elevadas forem as expectativas, pior será a queda quando ela acontecer.

"Tem tudo a ver com gestão de expectativas e com tentar gerir as frustrações", concordou Inês Mendes da Silva.

"E que sonhos faltam concretizar? O que falta fazer ou ter?", perguntou Mafalda Anjos, por fim. Tempo, respondeu Inês Mendes da Silva, que diz que gere todas as horas do dia ao pormenor e que, mesmo assim, não é suficiente para conseguir fazer tudo o que pretende. "Eu já cortei nas horas de sono, já vou encher o depósito do carro uma vez por semana, porque penso que assim já é menos uma vez que vou ter de ir à estação de serviço, por exemplo".  Os desejos de Inês Lopes Gonçalves foram para a longa vida da PRIMA e Joana Barrios pediu apenas para "nunca ficar triste com nada". "Vivemos tempos difíceis e de mudança e acho que andamos todos a tentar perceber como lidar com isso", rematou.

Depois da conversa, as atrizes Mariana Monteiro e Teresa Tavares apresentaram o novo podcast da PRIMA, Grandes Primas, que as duas criaram, dando voz a textos no feminino sobre igualdade de género. No palco do Ferroviário, leram o texto  "Profissões para mulheres outros artigos feministas", que faz parte de uma série de ensaios, "O Momento Total", da autora Virginia Woolf.

O novo podcast está alojado no site d’A Nossa PRIMA, mas também está disponível no Spotify e no Soundcloud. O objetivo é dar a conhecer uma ínfima parte do trabalho e da vida de grandes nomes no feminino, de diferentes gerações e áreas de intervenção na cultura mundial.

Após a leitura, houve tempo para fotografias e conversa, com vários aperitivos e vinho a acompanhar. Já não chovia, mas o ambiente continuou igual: alegre e descontraído, assim como é a PRIMA, e assim como deve ser a vida. Obrigada a todos os que nos acompanham. A PRIMA é Nossa, mas é sobretudo vossa!

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