Escrevo este editorial poucos dias depois de a Terra ter batido um triste recorde. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera terrestre bateu novos máximos históricos – chegou em abril a 420 partes por milhão. Desenganem-se, pois, os que esperavam efeitos benéficos da pandemia no planeta: espera-se que as emissões subam 5% em 2021, revertendo todo o declínio conseguido no ano passado. Estamos já algures a meio caminho de duplicar os níveis de CO2 pré-industriais, antecipando um marco que se esperava apenas para 2080, algo que desencadearia um verdadeiro desastre anunciado e que representaria um aquecimento médio de 2,6ºC a 4,1ºC.

Desenganem-se os que pensam que este aumento é normal. Todos os investigadores concordam que esta subida recente representa o crescimento mais rápido em milhões de anos, ultrapassando mesmo eras em que gigantescas erupções vulcânicas despejaram enormes quantidades de CO2 na atmosfera, extinguindo os dinossauros.

E tudo isto pode levar-nos a passos acelerados para uma enorme extinção em massa – que já está a acontecer com a perda avassaladora de várias espécies, sejam mamíferos, aves, répteis ou anfíbios. A grande dúvida é se esta sexta extinção em massa ameaçará também a vida dos humanos na Terra.

Uma coisa é certa: o caos ambiental vai colocar a vida, tal como a conhecemos, em risco – e causar um agravamento dos fenómenos climáticos extremos, secas severas, subidas das águas do mar e migrações em massa de refugiados ainda no tempo de vida dos nossos filhos e netos. Todos nós podemos, no nosso dia a dia, fazer mais nas nossas escolhas de consumo. Mas este processo só será revertido com um sério compromisso político.

Trazer o tema para a agenda pública é fundamental, e é por isso que a PRIMA regressa com uma segunda edição especial ECO. Pelo planeta, mas sobretudo, por todos nós.

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