Por Sara Xavier Nunes

Se tem andado pelo Instagram por estes dias, deve ter reparado em pessoas impecavelmente maquilhadas e vestidas a partilharem fotos fechadas em casa. A ideia é da Joana Barrios, protagonista da primeira capa da PRIMA. O movimento #Lyndaemcasa surgiu de uma forma muito espontânea, depois do 5º dia de confinamento voluntário, explica Joana Barrios. “No contexto doméstico e com quatro pessoas no mesmo espaço é preciso fomentar as boas vibes. Tomei um banho, vesti-me com um outfit imaginado há montes de tempo para um próximo dia de sol e fiz uma maquilhagem daquelas que amo, mas que são impossíveis para o dia-a-dia. O meu marido olhou para mim e disse que eu estava com maquilhagem de selfie. E olha, fiz um vídeo selfie”, conta.

Aquilo que parecia ser apenas mais um vídeo para mostrar os dotes de Joana na maquilhagem promovia uma mensagem subliminar importante: “podermos estar a ser em casa, na melhor versão de nós próprios”. Sucintamente, a ideia é produzir-se, sair do padrão pijama/fato de treino e partilhar uma fotografia no Instagram com a hashtag, mostrando ao mundo como está linda sem poder ir à rua, e desafiar três amigos a fazer o mesmo. “O #lyndaemcasa é muito inclusivo e completamente subjetivo. É o que quisermx, desde que nx sintamx #lyndaemcasa”, brinca Joana.

Denominamos a hashtag como um movimento porque várias pessoas, famosos e não famosos, têm cumprido este desafio. “Isto no fundo é uma possibilidade de materialização da ideia, que está a ser muito difundida, de estarmos todos no mesmo barco. Porque estamos. Todos juntos. Está a ser igual para todos, difícil para todos”.

Joana assume ainda que o seu objetivo com este desafio é fomentar a ideia de que é importante cuidar de nós – o self-love. “Eu naquilo que faço em qualquer meio tento fazer isso: espalhar a boa nova de que estar bem e ser bem é maravilhoso. Por isso recebo muito feedback positivo. All in all, a maior parte das pessoas diz que o desafio é ótimo para saírem dos pijamas, porem uma música a tocar e estarem ali a olhar-se ao espelho”.

A esperança é que o desafio se prolongue depois destes dias em casa, sobretudo o maior de todos: aceitarmos os padrões dos outros. “Eu na verdade acho que andava a cozinhar isto há algum tempo, porque ando em experimentações éticas dos padrões de beleza há tanto tempo. É mesmo preciso perceber a importância de escutar e percecionar o outro no seu todo, sem julgar. Só assim ascenderemos”, resume Joana.

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