Ao pensar sobre a perguta que dá título a este artigo, está mesmo a queimar calorias. E se, no trabalho, tiver de resolver um problema que requer esforço mental e alguma criatividade, vai consumir ainda mais energia. Não acredita?

É difícil imaginar que podemos queimar calorias com atividades que não envolvem movimento corporal praticamente nenhum, mas a verdade é que o cérebro utiliza a glicose presente no sangue para funcionar e é a partir desse consumo de energia que todas as funções cerebrais são realizadas corretamente.

Aliás, a maior parte da energia que o corpo utiliza não está relacionada com exercício físico ou movimento: entre 8% e 15% dessa energia é gasta na digestão dos alimentos ingeridos, enquanto um pedaço muito maior é necessário para manter todos os órgãos a funcionar.

Apesar de o peso do cérebro representar apenas 2% do peso total do nosso corpo, é o responsável por 20% do uso diário de energia, segundo uma investigação liderada por Marcus Raichle, professor de medicina na Washington University School of Medicine, em St. Louis, nos EUA. Isto quer dizer que, num dia normal, uma pessoa utiliza cerca de 320 calorias para pensar. Na verdade, até durante o sono se queimam calorias.

Um outro estudo, liderado por investigadores da Universidade de Albany, em Nova Iorque, e que analisou como o cérebro utiliza a energia para realizar as atividades do dia-a-dia, concluiu que as tarefas cognitivas que requerem mais esforço mental também necessitam de mais glicose para serem processadas relativamente às mais simples.

A investigação, publicada na revista científica Frontiers in Psychology, sugere que há partes do cérebro que atuam mais do que outras em diferentes atividades: se estiver em causa um exercício complexo de memorização, por exemplo, as regiões do cérebro envolvidas na formação da memória vão consumir mais energia, enquanto outras áreas não vão revelar esse aumento.

Em 2012, um relatório publicado pelo American College of Neuropsychopharmacology tinha dado conta de que uma hora de atividade cerebral intensa - por exemplo, a estudar matemática ou a ler um livro numa língua diferente - queima até 90 calorias.

Ainda antes disso, em 2001, cientistas da Universidade de Northumbria, em Newcastle upon Tyne, na Inglaterra, pediram a metade dos seus alunos que resolvessem problemas complexos de matemática e verbais, enquanto o resto dos alunos repetia o mesmo exercício sem pensar. Os investigadores revelaram que o primeiro grupo de estudantes apresentou uma queda significativa dos níveis de glicose no sangue, como resultado de um maior gasto de energia.

Mas não pense que, com estes resultados, vai emagrecer. Isto porque os nossos cérebros não gastam muito mais energia nas tarefas que envolvem mais esforço mental do que nas mais simples: se uma pessoa fizer um exercício mental complexo durante oito horas, pode queimar cerca de 100 calorias a mais relativamente a alguém que fique, durante o mesmo período de tempo, deitada no sofá a assistir a uma série, por exemplo.