Por Duarte Castro 

É uma “invasão pacífica”, como o criador da iniciativa Online/ Offlife Tomaz Castelão gosta de lhe chamar. Teve início na noite de 20 de outubro, mas, horas antes, já Tomaz preparava os dez baldes de cola caseira, feita com farinha, água e açúcar. Durante cerca de três horas, Tomaz e um grupo de 30 amigos colaram 450 cartazes em zonas estratégicas de Lisboa – Santa Apolónia, Cais do Sodré, Chiado e Alcantâra, locais onde tinham a certeza que a sua mensagem não iria passar despercebida. Os materiais usados, os locais onde foram afixados e até a forma como os cartazes foram colados (apenas nas quatro pontas), tudo foi pensado para que a ação fosse o menos nociva possível.

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Nos cartazes, lêem-se mensagens como: “Todos os momentos importantes que gravaste e não querias perder: viste-os através de uma câmara”, “Preocupas-te mais com a fissura no teu ecrã que com o caroço no teu corpo”. A ideia para o projeto surgiu em novembro de 2018, numa noite de insónia. Agora, passado um ano, promete não deixar ninguém indiferente aos perigos do uso excessivo da tecnologia.

Tomaz Castelão, 23 anos, licenciou-se em Comunicação Estratégica na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas na Universidade Nova de Lisboa, esteve quase para se matricular num curso de gestão, mas foi numa viagem que fez sozinho pela Europa, que decidiu enveredar pela área da comunicação. Classifica o seu projeto como arte de intervenção e rejeita a ideia de que este seja um manifesto anti-tecnologia. Inspiram-no artistas como Bansky, mas foi ao “Projeto Bolha”, criado por Jin lee em Nova Iorque, que ridicularizava a publicidade de grandes empresas, que foi buscar a sua principal inspiração.

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“Há uns dias, li um texto que dizia que ‘vivemos conectados, mas cada um na sua ilha’ e acho que descreve muito bem o estado da vida de algumas pessoas”, disse o copywriter. Assustam-no as distopias de obras que abordam os mesmos temas para os quais pretende alertar, como o livro 1984 de George Orwell, o filme HER de Spike Jonze ou até mesmo a série Black Mirror: “Ficcionam realidades que não estão assim tão distantes da nossa”, confessa Tomaz. A iniciativa conta ainda com um site, onde estão disponíveis vários estudos sobre a dependência tecnológica e ainda um vídeo filmado e escrito pelo realizador português Marco Espírito Santo, sobre a noite em que o projeto ganhou vida.

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