Por Sara Xavier Nunes

Todos sabemos de cor: a vida e o quotidiano a que assistimos no Instagram, ou em qualquer outra rede social, não corresponde à realidade. As fotografias das viagens, das comidas saudáveis, dos treinos diários e dos corpos esculpidos ao milímetro nem sempre são exatamente como transparecem ser. Apesar de muitos de nós o sabermos, mesmo assim continuamos a criar ilusões e fazer comparações. Nós e os outros, os outros e nós. Somos constantemente bombardeados com fotografias de corpos considerados padrão. Mas isso está a mudar.

Um dos nomes dessa mudança é Danae Mercer, jornalista freelancer de saúde e viagens, ex-editora da revista Women’s Health e instagramer. Com quase um milhão de seguidores no Instagram, Danae é uma das caras – e corpo – que promove uma maior realidade nas redes sociais. Ela tem um mote: "Helping gals feel normal", ajudar as miúdas a sentirem-se normais.  Quer ajudar as mulheres a sentirem-se bem com o seu próprio corpo, das mais variadas maneiras, sendo a principal mostrar  fotografias de corpos elegantes e firmes com a sua realidade das estrias, celulite e flacidez. E explica as técnicas usadas pelas instagramers na procura da perfeição, como o uso certo da luz e os ângulos em que são tiradas as fotografias, além da edição de imagem.

A sua luta para que todas as mulheres se sintam bem em todos os corpos já é longa. Na sua página de Instagram recorre muito a vídeos e comparação de fotografias suas para demonstrar às suas seguidoras e seguidores que as fotografias que aparecem no nosso feed são montagens ou partes de uma realidade escondida. O seu papel fundamenta-se em normalizar corpos que são considerados “anormais”.

Mais recentemente, Danae criou um canal no Youtube, onde explica como começou este processo de amor próprio pelo seu corpo e como sente que tem a necessidade de ajudar as outras mulheres a sentirem-se bem com o seu corpo.

A destruição atrás da felicidade

No seu primeiro vídeo, Danae conta que tudo começou quando foi para a universidade. No intervalo do primeiro e do segundo ano da faculdade, a mãe de Danae morreu. Apesar de já ser algo que vinha de trás, foi a partir desse momento que começou a ter problemas com a alimentação e com o seu corpo. Na altura, quando começou a sentir-se mais em baixo Danae começou a tomar uns comprimidos para libertar a gordura do seu corpo e desta forma tornou-se mais intensa a sua obsessão pelas calorias que comia, pelos alimentos que poderia ou não consumir. “Mal me apercebi e de repente só comia brócolos cozidos a vapor ou pipocas”, diz no seu vídeo.

Três meses depois de ter começado a controlar obsessivamente a sua alimentação Danae perdeu metade do seu peso e conta que começou a sentir-se fraca, que perdeu muito cabelo, sentia muitas dores em todo o corpo e que até sentiu que não estava a conseguir raciocinar bem. Em contrapartida com este cenário todo, quando convivia com pessoas, estas diziam-lhe “quem me dera ser como tu”, “como consegues ser tão magra se comes tanto”. A sensação de que ser magra era algo perfeito fazia com que as perturbações continuassem.

Tudo mudou quando percebeu que poderia perder a bolsa de estudo que tinha. Os professores de Danae conversaram com ela e explicaram-lhe que se não melhorasse poderia perder tudo o que tinha conquistado até então. E foi neste momento que Danae decidiu entrar num plano de recuperação de “três frentes”: ir a consultas frequentes a um médico, a um nutricionista e a um psicólogo, de modo a trabalhar a parte física, a parte da alimentação e a saúde mental.

Com os novos hábitos que criou, Danae começou a aceitar-se melhor com o seu corpo, com as suas manchas, com as suas estrias, gorduras, com a flacidez e com o facto de o seu corpo ser seu apesar de tudo. Todos os dias, nas suas diferentes páginas de redes sociais, Danae ajuda a normalizar corpos que são normais. Um trabalho que, hoje, é quase serviço público.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.