Por José Pedro Ribeiro, em Granada

Os artistas Igor Jesus, Isabel Madureira Andrade e a dupla Musa Paradisiaca (Eduardo Guerra e Miguel Ferrão) foram desafiados a criar uma obra artesanal e colaborativa inspirada na filosofia da marca espanhola de cervejas Alhambra. Parar mais. Sentir mais.

O objetivo é encontrar o primeiro artista português que integrará a plataforma internacional de criação contemporânea Crear/sin/prisa – uma plataforma digital que desde 2016 promove o trabalho desenvolvido por artesãos contemporâneos: “Crear/sin/prisa é o compromisso que assumimos a longo-prazo com o artesanato contemporâneo. Reflete ainda a nossa perspetiva enquanto marca, de que é possível criar sem pressa, contribuindo para ampliar este movimento ao replicá-lo em projetos artísticos”, explica a Alhambra. No final, a obra vencedora será apresentada na feira internacional de arte contemporânea, ARCOLisboa 2020.

Isabel Carlos, curadora portuguesa de arte, foi a responsável pela seleção dos artistas e irá acompanhar o processo criativo ao longo das suas várias fases. Sobre as suas escolhas, Isabel Carlos explica que são artista completamente diferentes, mas todos se enquadram nos valores da marca. "Os Musa Paradisiaca têm no seu currículo várias colaborações com artesãos, a Isabel Madureira Andrade pinta de um modo que evoca a textura e o têxtil, o que nos desperta o sentido do tato, e o Igor Jesus desenvolve muitas peças a partir da reutilização de materiais, que vai ao encontro da sustentabilidade dos produtos Cervezas Alhambra", conta.

A aposta no trabalho de artistas emergentes faz parte do ADN da marca, que acaba de lançar a primeira cerveja no mercado nacional, Alhambra Reserva 1925. “Um dos produtos que melhor representa os valores da empresa”, rematou a responsável pelas visitas do Centro de Produção das Cervejas Alhambra em Granada. Daí que o projeto artístico se inspire no processo de fabrico lento e nas técnicas de produção artesanais desta cerveja, para além da própria origem da marca, que nasceu em Granada, uma cidade do sul de Espanha, situada nos contrafortes da Serra Nevada. Ali, os arcabouços da arquitetura medieval que remontam para a ocupação moura, imprimem no espaço um conto de reis e rainhas; já o tempo e o estilo de vida permanecem brandos. Foi a partir desta comunhão entre a cidade e os valores da empresa que surge este vínculo – tão forte que levou a marca a adotar o nome do monumento mais conhecido na cidade (e o mais visitado em Espanha), Alhambra.

Alhambra

Com Granada como cenário, os artistas portugueses foram convidados a conhecer a história da cidade e da nova Alhambra Reversa 1925, uma reinterpretação da versão âmbar lager, produzida com a variedade de lúpulo “Saaz”, uma das mais exclusivas do mundo. O sabor intenso e requintado, a sua embalagem distinta, com a exclusiva garrafa verde sem rótulo, tornam-na uma cerveja adequada aos paladares mais exigentes. “A iniciativa estabeleceu uma bonita diplomacia com os artistas”, elogiou Miguel Ferrão, dos Musa Paradisiaca.

Isabel Madureira Andrade, mestre em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, assentiu, tecendo considerações positivas sobre o projeto: “É de louvar este compromisso que a marca estabelece com o artesanato, a manualidade e a valorização do trabalho artístico”. A artista, de 28 anos, revelou ainda que durante a visita à cidade contactou com referências especificas determinantes para fechar a proposta: no verde da garrafa ou nos tons ocre do património edificado, assim como nas texturas dos elementos Isabel vislumbrou a forma e talhou a escala da peça de tapeçaria que arquitetara antes da partida para Granada. “O sistema rítmico imagético produzido pelas garrafas ou a geometria dos azulejos árabes de Alhambra foram decisivos para finalizar o meu projeto, inspirado no logo da marca e na textura da garrafa”, confessou a pintora.

Igor Jesus (30 anos) destacou na visita à cervejeira, o som produzido pelo cruzamento de garrafas entre os vários trilhos da fábrica. O artista, licenciado em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e finalista dos Prémios Novos Artistas da Fundação EDP, em 2017, confidenciou que a visita à fábrica foi importante para começar a desenhar o esboço da proposta: “Esperei por esta oportunidade para começar a trabalhar no projeto. Não queria partir de uma premissa vã para depois ter que adaptar a proposta às novas ideias que sabia que iam surgir quando voltasse ao atelier em Lisboa.” Sobre a obra, Eduardo Guerra e Miguel Ferrão mostraram ter ideias bastante claras. “O nosso projeto pretende traduzir uma experiência icónica hipersensorial, duracional e performativa, bem ao gosto da Alhambra Reserva 2019”, disse Miguel Ferrão, dos Musa Paradisiaca, uma dupla de artistas distinguida pela produção de esculturas, filmes, desenhos e performances artísticas que já lhes valeram o Prémio EDP Novos Artistas (2013) e a final do Prémio Sonae Media Art (2015).

Cada um dos artistas deverá conceber uma peça colaborativa e artesanal que deverá envolver a participação de, pelo menos, um artesão português e outras pessoas numa ou em várias fases do processo. A apreciação das propostas dos artistas será feita por um júri, da qual resultará a seleção de um dos três projetos que deverá ser apresentado na ARCOLisboa 2020. Este será o segundo ano consecutivo em que Cervezas Alhambra marca presença na feira internacional de arte contemporânea. O fundo artístico Crear/sin/prisa reúne atualmente 16 obras de artistas espanhóis, às quais se junta já em maio deste ano a obra do primeiro artista português.

“A colaboração de Cervezas Alhambra como a ARCO surge naturalmente, já que partilhamos valores em torno da produção da arte e dos artesanato contemporâneo. Uma relação já consolidada em Espanha nos últimos anos e que se estendeu a Portugal, com o objetivo de fortalecer a internacionalização destes laços”, explicou a Alhambra. Venha então de lá a arte tom toque lusitano, acompanhada de uma cerveja.

Alhambra
Igor Jesus, Isabel Carlos, Isabel Madureira Andrade, e a dupla Eduardo Guerra e Miguel Ferrão créditos: João Pedro Correia

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