Aos 16 anos, Isabella Aquilina, brasileira, filha de pais libaneses, na altura a viver em Londres, teve a primeira ideia de negócio: a Saj, uma food truck de sanduíches libanesas que circularia nas ruas e parques da capital inglesa. “Fiz um business plan, apresentei a ideia a investidores, mas ninguém me levou a sério.” Onze anos depois, a The Saj Bakery viu a luz do dia. Com algumas nuances. Não anda sobre rodas, mas está de portas abertas na Rua do Arsenal, a meio caminho entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço, num espaço pop up que fecha no final de Janeiro. A boa notícia é que por essa altura, abrirá outra loja ali perto, com a mesma filosofia de negócio, a de servir sanduíches para pegar e levar, todas 100% vegetarianas.

No centro do negócio está o saj, isto é, o forno onde é cozinhado o pão. Uma estrutura convexa, aquecida por baixo, onde a massa chega acabada de esticar - um espectáculo feito ao estilo de um pizzaiolo, que vai passando a massa da mão direita para a esquerda e vice-versa - e por onde o pão volta a passar no final, já depois dos ingredientes terem sido colocados, para ser enrolado numa espécie de wrap e servido quente. “É o típico flatbread libanês, que é uma sanduíche muito comum no Líbano, vendida em cada esquina”, conta Isabella, que já tem duas padarias no Uruguai (de pão uruguaio).

Saj Bakery
As sanduíches são todas vegetarianas

Depois de ter vivido no Brasil, em Londres, em Atenas, de ir ao Líbano todos os meses e de passar metade do ano no Uruguai - sim, é uma cidadã do mundo -, juntou-se a uma amiga portuguesa, Leonor Sousa Guedes, e juntas decidiram apostar em Lisboa para a primeira experiência. Para ajudá-las na aventura, contrataram duas mulheres sírias, Mona e Miriam, que ajudam a fazer o pão e a preparar os ingredientes. “É tudo simples, os frescos comprados no Mercado da Ribeira, e a massa feita aqui, com farinha de trigo, água, sal e azeite.”

Saj Bakery
A massa de trigo descansa antes de ser esticada e colocada no saj (forno)

É possível passar e comprar só o pão - um hábito muito libanês - ou então começar o dia com a típica sanduíche de pequeno-almoço, recheada com coalhada seca (labné), tomate, hortelã e za’atar, a mistura de especiarias que, por enquanto, Isabella traz do Líbano. A mais popular tem sido a Picante, com queijo, hummus, pickles, alface e tabasco, há também a Verde, com hummus, espinafre, maçã verde, pepino, nozes e sésamo ou a doce, com ricota, doce de figo, mel e pistáchios (entre os €4,50 e os €7,50). Para beber, há lemon mate, chá frio de hibisco e, em breve, um café feito com grãos da Corallo (marca lisboeta de cacau e cafés). “Vão fazer uma mistura para nós com cardamomo”, avança Isabella. Tudo para a experiência do Líbano ser o mais completa possível.

Rua do Arsenal, 118, Lisboa. Seg-dom 11h-19h