Os últimos anos foram especialmente prolíficos na abertura de cafés ditos modernos em Lisboa. Tendência que não passou ao lado da zona da Madragoa, onde as aberturas vieram em força (e com estilo, diga-se): Mercearia da Mila, Heim Café, Fauna & Flora e, no final de 2018, o Chérie Paloma. O que têm em comum? Partilham o bom café, a boa comida e o wi-fi para os (cada vez mais numerosos) freelancers; toda a restante oferta varia.

Falemos do mais recente, o Chérie Paloma, o primeiro café mexicano de Lisboa, que ocupa uma antiga mercearia, encerrada há 40 anos. À frente do espaço está o francês Julien Garrec, dono do all day breakfast café Dear Breakfast, na zona do Poço dos Negros, atualmente a viver em Lisboa, mas um apaixonado pelo México, país que visita com alguma regularidade. “Em Lisboa já temos vários restaurantes mexicanos, mas mais de street food, de tacos e burritos. Eu queria ter um diferente, um que mostrasse o que se come ao pequeno-almoço, sobretudo, e com oferta diferente ao jantar”, conta Julien. Para transformar a ideia em realidade, convidou o chefe Daniel Moehler, que vivia e trabalhava no México, e que tem uma quinta na Alemanha onde produz as próprias tortilhas de milho, orgânicas. “Quando o Daniel me falou disto, achei que era ideal para manter a ideia do pequeno-almoço e almoço”, acrescenta.

Cherie paloma
Pequenos-almoços mexicanos créditos: José Carlos Carvalho

Na carta das manhãs, que está disponível até às quatro e meia da tarde, servem-se huevos rancheros, com os ovos fritos, salsa vermelha, feijões e tortilhas de milho, huevos à la mexicana, uma receita de ovos mexidos com tomate, cebola, jalapeño, tomate e feijão e os beneditinos - adaptação dos benedict que servem no Dear Breakfast - que são escalfados, servidos em cima de um brioche, com salsa verde, bacon e batata. Há ainda smoothies, uma secção de verdes, com uns pratos mais ocidentalizados, como o parfait de chia e cacau, com manga, frutos secos, bagas goji e pólen, e outras sugestões, como a tosta de abacate, com ovo escalfado, as quesadilhas, feitas com tortilhas de milho, queijo Oaxaca, arandos, cogumelos e abacate ou o taco de novilho. E porque nem todos os portugueses se atiram a estes pratos logo de manhã, também servem croissants, madalenas e uma especialidade mexicana de nome Concha, um brioche coberto de açúcar, frutas ou chocolate. Para beber, além de várias bebidas de café, têm chocolate quente mexicano - “com muita canela”, sublinha Julien - horchata ou jamaica, um ice tea de flor de hibisco.

Cherie paloma
Há bebidas à base de café e chocolate quente mexicano créditos: José Carlos Carvalho

A partir das seis e meia da tarde, monta-se uma espécie de festa mexicana, com música, cocktails e onde até as luzes se adaptam ao ambiente. O barman atira-se às tequillas e ao mezcal, que podem ser servidos puros ou em cocktails originais, há sangrias e também cerveja mexicana. “Podemos também fazer provas só de tequilla e só de mezcal”, diz Julien. Para encher a barriga, provam-se as tostadas de atum fresco, com molho de soja, laranja, alho francês crocante e abacate, o ceviche de camarão e bacalhau, um polvo na brasa confitado em vinho tinto, com chipotle e creme de batata ou um frango de mole negro, típico de Oaxaca, que cujo mole (um molho mais consistente) é feito com 15 ingredientes diferentes.

“O objectivo à noite é que as pessoas façam a festa como os mexicanos”, sublinha o dono do Chérie Paloma. Lição aprendida.

Calçada Marquês de Abrantes, 148, Lisboa / 96 486 7125 / seg-dom 09h-16h30, 18h30-24h (fecha terça e quarta à noite)

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