Por José Pedro Ribeiro

“Temos a idade da nossa coluna. Há senhoras de 60 anos que são mais flexíveis do que eu que tenho 33 anos” começou por desabafar Vanessa Martins ao recordar que foram as dores lombares que a levaram a experimentar as aulas de Pilates. “Precisava de corrigir a minha postura corporal e melhorar a flexibilidade. Por isso, decidi aliar as aulas de Pilates aos meus treinos de musculação”, acrescentou.

Pelo menos uma vez por semana, durante cerca de 50 minutos, Vanessa Martins põe em prática um plano de treino que procura fortalecer o aparelho abdominal e desafiar a sua flexibilidade. “De facto, a flexibilidade é uma das minhas maiores fragilidades, mas está a melhorar a cada treino. Além disso, já não tenho dores”. Duarte Vargas, professor de Pilates de Vanessa Martins, confirmou que as aulas têm trazido resultados muito positivos. E acrescentou: “A estratégia de treino que criei para a Vanessa permite-me trabalhar com ela a zona do ‘core’, considerado o centro de gravidade do nosso corpo, e a musculatura eretora da coluna. O objetivo é melhorar a postura e restabelecer o equilíbrio físico e mental”.

Em Portugal, o método popularizou-se há poucas décadas, mas tem atraído cada vez mais pessoas. Nos ginásios ou em estúdios, as aulas de Pilates estão espalhadas um pouco por todo o lado. Não duram mais de 50 minutos e são aconselhadas pelo menos duas vezes por semana. As sessões são orientadas por um instrutor – com formação especializada na área – que é responsável por criar um plano de treino adaptado às necessidades individuais, nas sessões personalizadas, ou do grupo. Dos 14 aos 80 anos todos podem participar sem restrições.

Cada aluno é um aluno

Ana Luís Martins, instrutora e formadora de Pilates com uma vasta experiência profissional em mais de 14 países europeus, revela que todos os planos de treino são desenvolvidos a partir das necessidades de cada aluno. “Os instrutores têm de perceber quais são os exercícios que melhor cumprem os objetivos estabelecidos para o paciente.” “Entre os exercícios feitos no solo ou nos aparelhos, o professor deve criar uma sequência adequada aos problemas de cada um seja para reforçar o core, se  existirem problemas posturais, ou melhorar a performance desportiva de um atleta de alta competição, se for esse o caso”, rematou.

Dores lombares, desvios posturais, hérnias discais, pos-operatórios, stress, falta de foco e concentração são apenas alguns dos problemas que o Pilates ajuda a dar resposta

Nelson Evora, Naíde Gomes ou Francis Obikwelu são alguns dos desportistas nacionais que já passaram pelas aulas de Ana Luís Martins. “O Pilates pode perfeitamente ajudar um atleta a ganhar medalhas”, concluiu. Para além de aumentar os níveis de concentração, o método permite melhorar as capacidades de resistência física e mental dos atletas.

“Numa das aulas que fiz com o Nelson Évora foi estipulado que ele tinha de fazer dez saltos. Depois dos cinco primeiros teve de parar, por fadiga. Nessa altura, aconselhei-o a pôr em prática alguns dos princípios que lhe tinha ensinado – como por exemplo, o recrutamento da musculatura interna. Depois disso, os últimos cinco saltos foram bastante melhores do que os primeiros”, recordou Ana Luís Martins para mostrar que através deste método os alunos, atletas ou não, aprendem a aplicar a força nas proporções adequadas a cada tarefa, de forma a economizar a sua energia.

Replicar no dia-a-dia

“É importante que os exercícios que os alunos aprendem durante as aulas, sejam depois reproduzidos nas diversas situações do dia a dia, como por exemplo, manter a coluna alinhada quando trabalham no computador. Só dessa forma podemos tirar benefícios do Pilates.”, rematou Duarte Vargas. Ana Luís Martins sublinhou a mesma ideia: “Uma ou duas horas por semana não são suficientes para solucionar definitivamente os problemas. É importante que os princípios que são aprendidos nas aulas, seja depois adotado para a conduta diária de cada um.”

O Pilates foi um método de reabilitação física desenvolvido pelo alemão Joseph Pilates há cerca de 100 anos, nos EUA. Os exercícios, inspirados no ioga, no tai chi e nas terapias orientais, procuram reforçar a estabilidade física e mental dos praticantes, com o menor esforço possível. Dores lombares, desvios posturais, hérnias discais, pos-operatórios, stress, falta de foco e concentração são apenas alguns dos problemas que o Pilates ajuda a dar resposta. O objetivo é restabelecer o equilíbrio físico e mental, ao mesmo tempo que promove a perda de peso.  “Na verdade, o pilates é uma forma de estar e viver”,  concluiu Ana Luís Martins.

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